A arte de não perder a fé

Amigos leitores,

Nesta sexta-feira quero compartilhar com vocês uma mensagem sobre fé. Nada ligado à religião, apenas aquela certeza que não sabemos de onde vem e porque sentimos, porém nos dá a sensação de que em algum momento as coisas vãos e acertar e tudo vai dar certo. Também não será um texto do tipo placebo, motivacional, que pinta um cenário ideal sem considerar as dificuldades e os percalços que todos nós vivemos em nosso dia a dia. Mas será uma mensagem bonita, garanto a vocês.

Uma das bênçãos que atuar na docência me trouxe foi a honra de conhecer e conviver com jovens profissionais que, assim como eu, também sonham e esperam um futuro de oportunidades e realizações pessoais e profissionais em sua área. Nesta jornada que encerrei voluntariamente em dezembro passado conheci Luísa Straede, minha aluna de dupla cidadania (brasileira e canadense). Luísa sempre foi muito dedicada, responsável, interessada e eu a conheci cursando a segunda graduação (ela é Administradora e Secretária Executiva). Fala inglês fluentemente, nasceu e  viveu até os 10 anos de idade no Canadá, tem perfil e postura para assumir cargos de alto nível de confiança e exigência em qualquer setor da economia e em qualquer segmento de mercado.

Luísa e eu construímos uma relação de amizade pelo constante interesse dela em receber feedback sobre repetidos processos seletivos para os quais ela nunca havia sido escolhida. Logo após sua formatura atribuíamos isso ao fato de ela nunca ter tido experiência profissional talvez, apenas estágios, enfim, sempre tínhamos uma justificativa. Mas os meses foram passando e Luísa foi entrando em estado de desespero. Ela hoje colabora para o bem-estar de sua família e se cobrava muito por ter duas formações e ainda nenhum emprego. E pelo currículo e perfil, obviamente ninguém esperava vagas “quebra-galho”, esperávamos vê-la atuando no setor diplomático, empresas privadas multinacionais etc. Mas nada.

Veio o primeiro emprego em um escritório de advocacia de pequeno porte e Luísa se vou desafiada a ser tratada como tudo, menos como secretária. Aguentou o tranco. Ela precisava da grana, precisava ter sua primeira experiência. O tempo passou e a experiência, ainda que péssima, a ajudou a ter um currículo mais atrativo para as experiências seguintes. Veio uma oportunidade em uma instituição da área da educação na administração federal. O tratamento entre ela e os gestores não era dos sonhos, mas estava um pouco melhor. O problema, gente, é que quando você sabe para o que você nasceu e olha ao seu redor e vê um cenário muito aquém do que você crê que mereça, é de enlouquecer, dá vontade de chorar, gritar e… até se matar.

Graças a Deus, Luísa foi tomada pela fé, literalmente. Encontrou na palavra de Deus o alívio imediato necessário para resgatá-la de sentimentos ruins e um desejo, muitas vezes incontrolável, de deixar de viver esse tipo de situação. A fé a fez crer em dias muito melhores e a fez se interessar em voltar a estudar, se capacitar, participar de treinamentos, cursos, ver outras pessoas, ouvir outras histórias e sentir conforto e aconchego de novas companhias. Meu carinho por ela é tão especial que as melhores vagas que eu recebia para posições de secretariado executivo bilíngue eu imediatamente encaminhava para ela.

Na última quarta-feira, 10 de janeiro, fui ao seu encontro para conversarmos sobre alguns de seus anseios, compartilhados por mensagem no final do ano. Ao chegar no local agendado, ela estava mais tranquila e quando me sentei, ela me falou: “tenho uma coisa para te mostrar”. Olhei seus olhos e dei um sorriso, mas dentro de mim eu vibrava: Luísa conseguiu um bom emprego! Sim, meu povo, ela havia conseguido! E na posição de secretária executiva pleno (mais que junior), com excelente e justo salário para começar, com treinamento já agendado no Rio de Janeiro (me alegra ouvir isso em um cenário onde o primeiro destino dos cortes de investimento das empresas tem sido em capacitação) e a empresa. Bom, não vou falar o nome do santo, mas posso falar de seu segmento: é uma das maiores prestadoras de serviços profissionais do mundo nas áreas de auditoria, consultoria e outros serviços acessórios para todo tipo de empresas e no mundo inteiro.

O que acompanhar a trajetória da Luísa tem me ensinado? Que em qualquer circunstância da vida, se existe algo que pode nos segurar ao restinho de vida que pulsa no momento de maior desespero, desânimo e dissabor que podemos viver, isso se chama FÉ. Ela também me salvou em várias passagens da minha vida e hoje me mantém firme em meus propósitos, sonhadora, feliz e eternamente grata por tudo o que sou e tenho! A fé salvou a vida da Luísa e no mundo onde vivemos certamente é a única coisa que poderá salvar muitas pessoas em situações similares. Desculpem-me os leitores ateus, mas confesso que este texto saiu bem parcial porque quando cremos numa verdade, ela precisa ser dita claramente. E esta verdade é o que me mantém viva todos os dias!

 

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Marcela Brito sou eu: muitas mulheres, muitas facetas, uma só identidade. Alguém com missão, paixão e coragem.

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