O motorista e a missão

Amigos leitores,

Ao longo da carreira construímos uma rede poderosa de aliados com os quais podemos contar irrestritamente para realizarmos com sucesso nosso trabalho. E, mais do que isso, para que o resultado apareça sem furos, bem feito, no prazo e íntegro, precisamos contar com o apoio da turma dos bastidores, que incansavelmente prestam um serviço de excelência quando o assunto envolve missões críticas no local de trabalho. Quem nunca precisou ir ao fórum, cartório e afins em fim de ano, antes de recesso para dar entrada em processos? Bom, situações atípicas a parte, hoje quero falar de um companheiro especial que profissionais de decisão sempre tem como verdadeiros amparos e conselheiros: o motorista.

Final de dezembro de dois mil e dezessete, rumo a missões fora do escritório. Prazo apertado, definições que dependiam de resolver no local algumas questões importantes para a empresa. Lá estavam eu e o James*, bem apresentado, um senhor de carreira extensa e com muitas, muitas histórias para contar. Nunca havia me visto na empresa. Conversa vai, conversa vem, ele diz: “a gente que acompanha os chefes, se pergunta como conseguem fazer tanto com o tempo tão corrido. E vocês, secretários? A gente ouve o que eles pedem e fica imaginando como conseguem dar conta de entender e fazer tudo o que eles pedem?”. Ah, James, o registro é apenas o registro. O melhor dessa louca jornada de trabalho para os que assessoram, para os que decidem é exatamente a turma dos bastidores. Os que não são vistos tampouco lembrados, mas sem os quais nada seria possível.

Aqui posso citar muitos deles, desde a telefonista que filtra ligações e sem a qual seria definitivamente impossível trabalhar, uma vez que o telefone não pararia de tocar até o esquadrão da limpeza, que mantém salubre nosso ambiente de trabalho, auxiliando na qualidade e no bem-estar de nosso organismo. Mas eu tenho, particularmente, histórias muito interessantes com esses condutores, esses que levam e trazem em tempo hábil, que auxiliam na dedicação de tempo para aquela lida no relatório antes da reunião, poupando energia e desgaste desnecessários com trânsito no deslocamento a reuniões externas, ao aeroporto e, muitas vezes, no fechar das cortinas, no retorno para casa.

São guardiões de informações, notícias, furos, escândalos, segredos que muitas vezes nem os assessores de maior confiança sabem. São verdadeiros baús. São pessoas, as poucas nas empresas, nas quais ainda se pode contar. E na caminhada diária de trabalho, são nossos grandes aliados, até quando os conduzidos não serão membros do alto escalão. Guardam a memória das empresas, sabem como funcionavam antes e avaliam o cenário atual. Sobretudo, são parceiros, se tornam amigos, nos entendem, nos aconselham, nos consolam. Eles entendem as motivações por trás da fúria, da falta de trato tantas vezes cometida inconscientemente pelos chefões… eles ouvem, eles veem, eles sentem.

A vida deles culminaria num livro, ao menos numa bela crônica, sob o registro de quem tem o olhar atento à sua atuação e compreende de maneira profunda o seu papel e como eles se encaixam perfeitamente na sinfonia corporativa entre mudanças, entregas, prazos, equipes e resultados. Sua missão é dar consistência ao trabalho que todos fazem, é aliviar a carga, é facilitar os processos, é arrematar com chave de ouro as tarefas. E o fazem com competência. O motorista e a missão estão em todas as organizações. Tê-los é um privilégio, especialmente em tempos de crise e redução de quadros, saber que são nossos aliados é uma dádiva. E esta é a diferença de quem se relaciona com foco no resultado e se vê tão parte quanto a parte deles. Que neste dois mil e dezoito, criemos mais parcerias e alianças profundas com a turma dos bastidores. São eles que não deixam o nosso instrumento desafinar em meio ao espetáculo exaustivo de nossa orquestra sinfônica.

*O nome do meu colega foi preservado, portanto, utilizei o pseudônimo James.

4/365

Marcela Brito sou eu: muitas mulheres, muitas facetas, uma só identidade. Alguém com missão, paixão e coragem.

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1 Comentário para O motorista e a missão

  1. Karla Mustafa janeiro 4, 2018 at 3:26 pm #

    Nunca havia lido um texto sobre a importância desse profissional! Fantástica lembrança! Até compartilhei com um antigo colega de trabalho.

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