Quem somos nós na academia?

Amigos leitores,

Para quem sentiu falta dos textos diários, a boa notícia é que não atualizei no final de semana por motivos de muito amor e tempo dedicado aos meus e a mim. Como falei nos últimos meses, abdiquei de algumas atividades para estar de corpo e alma em família e cuidando do meu lar e graças a Deus tem me feito bem. Então, fiquem com o texto que eu postaria na última sexta-feira.

Ao longo da semana, me deparei com dois momentos interessantes pelas redes sociais que me fizeram refletir e ver a situação do banco de espectadora que sou, neste momento, do universo acadêmico. Como sabem, após quase três anos de docência (ó, que saída prematura, talvez pensem alguns!), tive certeza de que o melhor para minha saúde não estava no ambiente da docência do ensino superior.

Foi uma linda e rica vivência, mas eu sou de uma geração muito próxima e igual à dos estudantes que eram meus alunos. E se você me perguntasse se dessa forma seria mais fácil, eu defendo que NÃO. Confesso que foi bem difícil para mim. Eu sou Geração Millenials e tenho todas as características de um membro da Gen Y, porém eu sempre fui educada e criada na corda bamba entre o conservadorismo e o progressismo, entre a rigidez e a flexibilidade. Esta sou eu, e certamente isso atrai as pessoas, de modo geral.

Quando se trata do ambiente da educação, eu entendo que existe um espaço de respeito à autoridade, embora eu apoie a escola que dá voz aos estudantes, onde devem (e são) protagonistas do processo de construção do saber. Minha saída prematura (talvez) da docência se deve ao fato de que eu simplesmente NÃO tolero falta de respeito e falta de prática de valores tais quais obediência, responsabilidade, liderança, empatia e espírito de equipe.

Portanto, num dado dia da semana vi em minha linha do tempo um desabafo de uma pessoa formada em Secretariado Executivo, que recentemente sofreu sério problema de demissão numa situação em que deveria estar amparada pela lei e sua decepção com a “falta” de oportunidades para se recolocar na área. Abaixo havia outro desabafo, dessa vez de uma outra pessoa formada recentemente dizendo que desde a formatura não havia encontrado emprego na área e que estava a ponto de desistir dessa carreira. Ok. Fim da história.

Dias depois vi fotos de ex-alunos se formando e toda aquela emoção, toda aquela euforia e sentimento de conquista, sabor de vitória e todos os clichês possíveis que cabem à ocasião e pelos quais eu já passei também. Vieram dois pensamentos à mente: “Nossa, nem sabia que eles se formariam hoje!” e “Ah, se soubessem o que vem pela frente…”. Certamente o segundo pensamento foi involuntário e como eu conheço a coisa toda por dentro, de sala de aula, de entrar e sair de sala, de dar boa noite e não ouvir, de ser ofendida por aluno, de ser ignorada e tantas outras reações que caberiam perfeitamente no descritivo de uma sala de aula de ensino fundamental, o pensamento se tornou oportuno.

Já o primeiro pensamento bateu como falta daqueles valores já citados acima… E o mais engraçado. Não sabia que eles formariam, não fui convidada e isso é absolutamente natural. Mas estou certa de que daqui a algumas semanas a minha caixa de entrada vai começar a receber e-mails com currículos pedindo para que eu me lembre de A ou B para alguma oportunidade. Já sei o mecanismo disso tudo.

Vamos lá: essa situação demonstra alguns tipos de comportamento que boa parte das pessoas com quem eu estudei de 2005 a 2008 jamais teriam e é sempre bom ensinar. Espera-se que a vida acadêmica não precise ensinar questões tão básicas, mas já que decidi falar sobre isso, vamos ao que interessa:

a) Regra número 1 do relacionamento: quem não é visto, não é lembrado. Que pessoas passaram pela sua vida e que você gostaria de cultivar um relacionamento? No dia da defesa do meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), a sala da apresentação estava tomada por convidados meus. O que eu queria? Aparecer? Sim, exatamente isso. Mas eu também queria compartilhar uma etapa, uma conquista. Convidei pessoas que contribuíram com incentivo, entrevista, material, referencial teórico. Eu me formei no Pará em 2009 e me mudei de Belém em 2011 e se você chegar à universidade onde estudei e citar meu nome as pessoas vão saber quem eu sou, inclusive a Geração Z, que entrou muito depois de eu ter me formado.

b) Seja cortês, sempre: toda celebração é um momento especial onde você deve aproveitar para compartilhar sua alegria e vitória, portanto, para a solenidade de colação de grau, fique à vontade para convidar as pessoas que fazem ou fizeram parte significativa de sua trajetória. Isso faz toda a diferença.

c) As pessoas que tem mais relação com o mercado devem estar próximas a você ao longo de sua jornada acadêmica. A menos que você deseje seguir carreira no ensino superior, com mestrado e doutorado, aprenda a valorizar profissionais que conhecem o mercado por dentro, que entendem do jogo e que tem se mantido nele ao longo do tempo. Essas pessoas são a chave para uma oportunidade promissora sem que você necessite pedir, forçar a barra ou ser aquele chato que fica mencionando a todo instante que precisa de um emprego. Os franceses tem uma expressão para educar os filhos – sois sage – seja sábio! Seja sábio!

d) Por fim, celebre muito sua conquista ao encerrar o ensino superior, mas seja maduro e compreenda que a maior vitória é se manter ativo em um mercado cada vez mais rude e hostil, especialmente com as gerações mais jovens. Estou ficando mais velha e certamente começo a me incomodar profundamente com o comportamento de muitas pessoas jovens, que perderam o senso de tempo, espaço e relacionamentos. Pessoas que não sabem entrar tampoco sair dos lugares.

Nem se eu tentasse, eu conseguiria esquecer do rosto dos alunos que me faltaram com educação, respeito, autoridade e responsabilidade. Graças a Deus também não esqueço dos bons, mas os ruins marcam muito mais. A vida acadêmica é um reality show. Tudo o que você faz, fala ou manifesta em ações toma uma proporção muito maior do que você imagina.. O mais importante é você saber o seu lugar e o seu papel em todos os ambientes, mas especialmente no ambiente acadêmico.

Você sabe qual é o seu?

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Marcela Brito sou eu: muitas mulheres, muitas facetas, uma só identidade. Alguém com missão, paixão e coragem.

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3 comentário pra Quem somos nós na academia?

  1. Silvana Kelly fevereiro 5, 2018 at 8:00 pm #

    Olá Marcela,

    Adoro seu textos, parece que você está falando para mim, sobretudo quando relata algo a respeito da sua breve experiência docente. Você sabe, estou há pouco tempo na docência e quando me perguntam como tem sido minha experiência, costumo dizer, INTENSA, cheguei querendo mudar o mundo, empreguei tanta energia que parece que estou na universidade há muitos anos. Mas continuo firme, acreditando no meu propósito e oferecendo o melhor de mim ao meus alunos, embora muitos sejam indiferentes a isto.
    Obrigada por seus textos, eles fazem parte do meu processo de reflexão diária.

    Um grande abraço.

  2. Karen fevereiro 6, 2018 at 2:16 pm #

    Querida Marcela,

    Geralmente,ou sempre, seus textos vem nos questionar e percebo que estes questionamentos estão ligados ao nossos comportamentos. Isso é muito bom, pois quem está disposto a mudanças, tanto na área profissional quanto pessoal, deve está atento as oportunidades que a vida nos dar. E BONS relacionamentos SEMPRE são ótimas oportunidades para tudo na vida!

  3. Keysa fevereiro 6, 2018 at 7:45 pm #

    Marcela,

    Sua sensibilidade e olhar diferenciado sobre as coisas me cativam.
    Muito obrigada por nos enriquecer com mais esse texto.
    Um super abraço

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