Educação mercadológica
Amigos leitores,
Como sabem, tenho um perfil muito questionador. E isso não foi construído aleatoriamente nem começou da noite para o dia. Eu fui formada para ser assim e todas as minhas influências e referências me ajudaram a forjar ainda mais este perfil. E ser questionador ou não está diretamente relacionado com duas coisas: a família onde você está inserido e sua formação escolar formal.
Meus pais são pessoas sem formação em nível superior, mas sempre foram pessoas que estavam atentos aos acontecimentos da sociedade, do mercado, enfim. Hoje eu vejo que eles não tem ideia de muitos porquês, porém é natural e compreensível pelo contexto de vida e história de cada um e perfeitamente aceitável. Mas eu tive ótimas oportunidades de ter um educação escolar de boa qualidade, embora tenha cursado apenas o último ano do ensino médio em escola privada, todos os demais foram em escola pública, especialmente os anos de nível superior.
Um dos motivos pelos quais me desmotivei a lecionar na docência do ensino superior é que como ainda não tenho pós-graduação stricto sensu, ou seja, mestrado tampouco doutorado, não posso lecionar em instituição pública. Com a pós-graduação lato sensu, poderia me candidatar a vagas para docência no Instituto Federal de Brasília para o curso técnico, acredito, e depois deveria continuar minha formação.
No ensino superior, especialmente no cenário mercadológico de Brasília temos uma situação bem desagradável para quem leciona e deseja contribuir de maneira efetiva para provocar o pensamento crítico nos estudantes. Infelizmente as instituições no ensino superior privado, no geral, são empresas (e ponto final). Não posso falar por todas, apenas pelas instituições por onde passei. Isso significa dizer que se você tenta emplacar atividades de base acadêmico-científica, que exigem um pouquinho mais de esforço dos estudantes, periga você sair taxado de professor exagerado, exigente, que apresenta um conteúdo acima do esperado entre outras reclamações que, nessas instituições, acontecem por tudo e todos.
Os estudantes, e falo pelos de Secretariado Executivo com os quais convivi, estão ali por objetivos muito específicos: mais da metade precisa se enquadrar na legislação para manter suas posições no mercado e não apresentam nenhuma afinidade ou perfil para atuação na área, uma outra parte deseja um diploma em qualquer coisa para tentar melhorar suas chances de recolocação no mercado e a ínfima minoria demonstra real interesse e desejo de aprender sobre a profissão.
Mas as instituições não colaboram no geral e professores e alunos acabam estabelecendo um pacto de mediocridade que, do alto dos meus trinta anos, eu decidi que não precisava compactuar. Educação é algo sério, é a base da nossa estrutura social, do pensamento crítico, da responsabilidade de eleger representantes, da consciência ao exercer diariamente a cidadania e da maturidade em entender porque somos tão atrasados. Tomamos péssimas referências para seguirmos, desejamos ter bens materiais, mas não temos a mesma vontade de passar pelos ônus que uma vida de certos privilégios no Brasil exige.
Em suma, precisamos de reforma na educação básica sim e sempre, mas a educação em nível superior precisa de qualidade, de critérios, de esforço, de orientação filosófica e mudança de mentalidade para que tanto profissionais graduados em instituições de ensino superior públicas, quanto em IES privadas tenham balizadas as mesmas condições de pensar e fazer o mundo.
Apenas um ponto de vista crítico!
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Marcela Brito sou eu: muitas mulheres, muitas facetas, uma só identidade. Alguém com missão, paixão e coragem.
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