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A crise da autoconfiança feminina

Amigos leitores,

Vez por outra me pego tentada a escrever sobre o estado emocional feminino nestes tempos, inclusive o meu. Eu venho de um ambiente familiar onde as mulheres tinham muita liderança, deixavam tudo muito impecável, herdaram seus problemas emocionais, mas era um ambiente onde havia risos, alegria, naturalidade, vida real e não havia remédio

para ansiedade ou insônia.

Meus posicionamentos sobre medicamentos são constantes e a minha ficha em relação a isso caiu quando morei no Rio e descobri que mais da metade dos empregados da empresa onde eu trabalhava era dependente de algum tipo de medicamento (ansiolítico, antidepressivo e afins). Eu fiquei profundamente assustada, pois honestamente um ambiente com este cenário e esta estatística é grave, é preocupante.

Eu entendo que existem pessoas, em momentos de sua vida, que precisam, precisaram ou precisarão se medicar quando necessitarem restabelecer sua saúde mental e emocional porque depressão é uma doença grave e que põe, sim, em risco a vida das pessoas. Curiosamente esse quadro se manifesta mais entre nós, mulheres, e para bom leitor não é difícil entender as razões.

Temos um histórico de dependência da figura masculina, de recebermos hostilidade no ambiente corporativo quando somos solteiras, mães, homossexuais, negras ou qualquer outra situação de vida particular que as instituições e gestores entendam como ameaçador. Nossa geração nunca esteve tão emocionalmente ferida como está atualmente. E para piorar a situação, insistimos em nos fechar e perdemos a capacidade de confiar nos outros porque quando eu me abro para o outro, ainda que seja outra mulher, eu me exponho e perco a capacidade de me defender. De quê, mesmo?

Sinto que em nossa liberdade social e em nosso grito de independência, entre ser uma mulher forte e um homem no comportamento, perdemos nossa essência, nosso traço mais primitivo, que é de nos protegermos mutuamente. Eu moro hoje em Brasília e, Deus, como é difícil fazer amigAs nesta cidade. Hoje eu tenho duas que plenamente sei que confiam em mim e nas quais posso confiar. Quando nos encontramos, nos beijamos, nos abraçamos e choramos. Desabafamos, rimos, falamos sobre sonhos e futuro. Coisas de… mulher sim. E, daí? Parece que hoje ser uma mulher assim se tornou um problema.

Para mim, o ponto alto de minha autoconfiança, de minha completude feminina (e por favor, não quero dizer que tenha que ser assim para todas vocês que me lêem, mas foi de fato para mim!), foi me tornar mãe de uma linda garotinha. Ser mãe e ser mãe de uma futura mulher traz uma sensação de plenitude muito grande, é divino, é transcendental. A maternidade me ajudou a ver que eu era capaz de muito mais do que eu imaginava e é como se minha capacidade de operação, raciocínio e operação fosse elevada progressivamente.

As mulheres da cidade contemporânea desaprenderam a se relacionar e sob tanto torpor, seja medicamentoso ou comportamental, não se reconhecem mais nelas e tampouco no outro. Não querer casar tampouco procriar se tornou característica constante das nossas mulheres. Que bom que hoje temos opções, mas ainda me pergunto se são opções ou ato de defesa de si mesmas? A falta de controle sobre si mesmas não seria o impeditivo mais básico para controlar o outro?

Acontece que relacionamento não se trata de controle ou competição e este é o ponto. Passamos a competir em tudo: salários, viagens, patrimônio e poder. Poder é o mal do século para os relacionamentos. Se não estamos nessa posição, está tudo acabado! Infelizmente, embora haja muitos motivos, tantos casamentos acabam, amizades se quebram e mulheres adoecem cada vez mais… Ó, céus! Fugimos de um lado para outro tentando surpreender e, no fim, continuamos com o imenso vazio que nos amedronta.

O que esta necessidade de autoafirmação está fazendo conosco? Aonde esta crise de autoconfiança está nos levando?

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Marcela Brito sou eu: muitas mulheres, muitas facetas, uma só identidade. Alguém com missão, paixão e coragem.

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